sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Saudade!

Entalar o dedo numa porta dói. Bater com o queixo no chão dói. Partir o pé dói. Um soco, um pontapé, uma chapada doem. Dói bater com a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, dói quando arrancamos um dente,tudo dói.... Mas o que realmente dói  é a saudade...
Saudade de um irmão que mora longe, Saudade de uma brincadeira de criança. Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais. Saudade do pai, do tio, do avo, da avó, da mãe que morreu, do amigo imaginário que nunca existiu. Saudade de uma cidade...


Saudade da gente mesmo, que o tempo não perdoa! Doem essas saudades todas! Mas a saudade mais dolorosa é a saudade de quem se ama. Saudade da pele, do cheiro, dos beijos. Saudade da presença, e até da ausência consentida.


Tu podias ficar na sala e ela no quarto, sem se verem, mas estavam lá. Tu podias ir para o dentista e ela para a faculdade, mas sabiam onde estavam. Tu podias ficar o dia todo sem vê-la, ela o dia todo sem te ver, mas sabiam que se iam ver amanhã. Contudo, quando o amor de um acaba, ou torna-se menor, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter.


Saudade é basicamente não saber.... Não saber se ele continua sem fazer a barba por causa daquela alergia. Não saber se ela ainda usa aquela saia. Não saber se ele foi à consulta com o dermatologista como prometeu. Não saber se ela tem comido bem por causa daquela mania de estar sempre ocupada, se ele tem saído com os amigos, se aprendeu a entrar na Internet e a escrever no blog (aquele que era nosso, e so nosso, onde contavamos as nossas aventuras, paixoes, conquistas, desilusoes...onde desabafavamos e partilhavamos as nossas experiencias de vida, onde faziamos tudo juntos e eu te ensinava a mecher no blog...). Saudade é nao saber se ela aprendeu a estacionar entre dois carros, se ele continua a preferir aquele jogador de futebol, se ela continua a preferir aquela loja, se ele continua a sorrir com aqueles olhinhos apertados, se ela continua a dançar daquele jeitinho enlouquecedor, se ele continua a cantar tão bem, se ela continua a detestar sítios com muita gente, se ele continua a amar, se ela continua a chorar até nas comédias...


Saudade é não saber mesmo! Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe bloqueiem o pensamento, não saber como conter as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche... Saudade é não querer saber se ela está com outro, e ao mesmo tempo querer. É não saber se ele está feliz, e ao mesmo tempo perguntar a todos os amigos por isso... É não querer saber se ele está mais magro, se ela está mais bela. Saudade é nunca mais saber de quem se ama, e ainda assim doer. Saudade é isso que senti enquanto estive a escrever o que tu, provavelmente, estás a sentir agora depois que acabaste de ler... Saudade é aquilo que eu sinto, que tu sentes... Que nós dois sentimos! Saudade é um sentimento enlouquecedor que toma conta de nós!







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